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A alfabetização e o processamento auditivo

A alfabetização e o processamento auditivo

A alfabetização depende de vários aspectos do desenvolvimento da criança, como coordenação motora global e fina, coordenação viso motora, habilidades do processamento auditivo e também do interesse da criança pelas letras. Na verdade, aprendemos aquilo que é significativo para gente.

Para estimular nossos filhos nesse aprendizado, visto que em tempos de quarentena estão na maioria do tempo em casa, podemos inserir a leitura e a escrita na nossa rotina, por exemplo ao fazer uma lista do supermercado, lermos uma receita que preparamos na cozinha, as regras de um jogo que queremos aprender, ou mesmo aquela historinha no final do dia.

Mas além de tudo isso, hoje quero falar um pouquinho sobre as habilidades do processamento auditivo, isso mesmo, a capacidade que temos de processar as informações que recebemos pela via auditiva.

Podemos dividir nossa audição em periférica (a capacidade de ouvir ou acuidade auditiva) e central (a capacidade de processar ou compreender aquilo que ouvimos). Quando a nossa capacidade de processar a informação está prejudicada podemos ter dificuldade no processo de aprendizagem, mesmo tendo uma audição normal.

A capacidade do processamento auditivo interfere na nossa atenção, reconhecimento dos sons, discriminação sonora, memorização das informações entre outras dificuldades, e isso pode levar a uma dificuldade inicial no processo de alfabetização, e posteriormente a dificuldades na interpretação de textos, na ortografia (erros de s, ss, ç, x e ch, entre outros), na gramática, e até mesmo na resolução de problemas matemáticos.

As crianças com distúrbios do processamento auditivo apresentam ainda mais dificuldades quando estão em locais com ruído, tendem a ser desorganizados nos seus textos escritos, são considerados alunos distraídos e muitas vezes preguiçosos, quando na verdade, precisam de ajuda para aprender.

Sabe aquela criança que fala muito ãh? Ou que pede para repetir mais de uma vez o que lhe é dito, ou ainda que quando lhe é solicitado alguma coisa, volta e diz, o que era mesmo para eu pegar? Tem ainda aquela que quando está assistindo televisão precisa ser chamada várias vezes até perceber que está falando com ela. Essa criança pode apresentar uma alteração do processamento auditivo, que precisa ser investigada através de uma avaliação fonoaudiológica, que dará o diagnóstico e orientará em relação ao melhor encaminhamento para o caso, geralmente através de terapia.

Mas enquanto isso não ocorre, algumas brincadeiras podem ser feitas que ajudarão no desenvolvimento das habilidades auditivas mais importantes para o desenvolvimento da criança, ou seja, a memória e atenção. Segue algumas dicas:

1- Brincadeiras de ouvir e repetir – Todas as brincadeiras em que a criança tem que repetir uma sequência, que vai aumentando aos poucos, por exemplo, fui a praia e levei um....

    • criança _ chapéu
    • familiar _ chapéu e chinelo
    • criança _ chapéu, chinelo e toalha
    • familiar _ chapéu, chinelo, toalha e água

E assim por diante, errou, inicia com uma nova sequência, que pode variar com temas diferentes.

2- Brincadeiras que pedem as letras iniciais, que envolvem assim a memória auditiva. O que tem na cozinha com a letra P, ou frutas com a letra M. E assim por diante.

3- Repetição de sequência numérica, sempre iniciando por uma quantidade de números possível para a criança e aumentando gradativamente, pode variar dentro de uma mesma categoria semântica, sendo, animais, cores, frutas etc. Espera-se que até os 8 anos de idade a criança seja capaz de repetir uma sequência equivalente à idade dela (aos 5 anos repete 5 números, por exemplo)

4- Brincadeiras como STOP, em que se tem uma letra inicial e precisa pensar em coisas que iniciam com aquela letra.

5- Outras brincadeiras que envolvam a audição e a atenção, como repetição de sons ouvidos a partir de instrumentos, brinquedos que reproduzem sons em sequência, atividades que requerem manutenção da atenção.

Tudo que é do processamento auditivo é habilidade, e pode ser melhorado a partir do treinamento. Se percebe que seu filho está com dificuldade, me procure, terei prazer em auxiliá-lo.
Abraços,

Gleidis R. Guerra
Fonoaudióloga Escolar